Friday, August 19, 2011

Berlim







3 comments:

Camila Lima said...

Oi Gustavo! Seus desenhos tem muita qualidade e estes da Europa estão expressivamente bem feitos! Parabéns!

Gustavo Racca said...

Obrigado Camila! Fico feliz que tenha gostado!

Humberto Kzure-Cerquera said...

Traços entrelaçados. Assim nos parece uma maneira preliminar e particular para descrever, sem julgamentos de valor, os conteúdos artísticos que se apresentam nos desenhos de Gustavo Badolati Racca. Seus impulsos, conscientes ou inconscientes, para tingir o campo neutro materializam signos e significados em unidades de expressão muito próximas da semiótica de Greimas. Unidades categorizadas pelos tons e saturação – categorias cromáticas – e pelos contornos, texturas, direções – categorias eidéticas. Os desenhos constroem, desconstroem e reconstroem geometrias capazes de inscrever percepções próprias da psicologia cognitiva, cujo espaço visual induz o observador à formação de imagens imbricadas de sonhos e/ou alucinações, ou pulsões fundamentadas na contramão da culpa. Lembra-nos, aqui, o que é contrário ao senso comum em relação à consciência moral, para a qual Freud compreendia como aquela que nasce da renúncia e não a renúncia às pulsões que advém dela. Se for preciso desafiar as leis, ou a desobediência a sua origem edipiana, é imperativo correlacioná-las ao desejo como propôs Kant. Contudo, a lei é o desejo recalcado como sentenciava Lacan ao perseguir meandros do pensamento kantiano. Mas, se a psicanálise exige debates mais aguçado sobre aspectos comportamentais humanos, interessa-nos neste momento lembrar das transgressões da arte e dos artistas ao construírem estéticas próprias da expressão impulsionadas pela experiência, pelo inconsciente e pelas representações. Os ensaios de Racca transpõem a simples anatomia e a verossimilhança das formas visíveis para a especulação e a experimentação criativa. Sobre isso, John Dewey (2010), em Arte como experiência, sublinha que:

Toda experiência, seja ela de importância ínfima ou enorme, começa com uma impulsão, e não como uma impulsão. Digo ‘impulsão’ em vez de ‘impulso’. Um impulso é especializado e particular; mesmo quando instintivo, é simplesmente parte do mecanismo envolvido em uma adaptação mais completa ao meio. ‘Impulsão’ designa um movimento de todo o organismo para fora e para adiante, e dela alguns impulsos especiais são auxiliares. É a ânsia de alimento da criatura viva em contraste com as reações da língua e dos lábios que estão envolvidos no deglutir; é o voltar-se do corpo como um todo para a luz, como heliotropismo das plantas, em contraste com o acompanhar uma luz particular com os olhos. (DEWEY, 2010: 143).

Os desenhos que neste painel – Blog – fogem do caricato expressam introspecção, exterioridade, melancolia, carne e memória ou desejo de voos que se fixam no imaginário. Os traços seguem uma linha tênue entre começo e fim para entrelaçá-los sobre a superfície plana e clara, com desejo de extrapolar o campo material.
Por Humberto Kzure-Cerquera. Rio de Janeiro, 20 de setembro de 2011.